|| Joana Carvalho Fernandes
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Os restos da Praia

O centro da cidade da Praia é radiante, animado, revolto, desarranjado mas in, vistoso e crioulo. Tem muito trânsito, boas estradas e pessoas bonitas, urbanas de andar dançado e quente, com um balanço de funaná nas ancas. Tem vestidos de cores e vaidades. E mostra-se no barulho das palavras gritadas ou cantadas por todos os … Continuar a ler

O poeta da Praia

“O que é lindo é lindo; o que é fantástico é fantástico; e o que é romântico é romântico. E este espaço é isso tudo. Fique connosco no espaço do amor.” Voz rouca, como quem quer puxar a coisa para o sexy, boca colada ao microfone, como quem fala ao ouvido. Puro charme cabo-verdiano. Como … Continuar a ler

O tempo, com muito mais tempo do que o tempo que o tempo tem

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que, em Cabo Verde, o tempo tem muito (muito, muito, muito) mais tempo do que o tempo que o tempo tem. – “Um café, por favor.”– “Espera um bocadinho.” Está a chover. O Inverno da Praia cola-se ao corpo, é … Continuar a ler

Caras vizinhas

Manhã de sábado. Biquíni, ramelas, cabelos desgrenhados. Um café na Achada de Santo António, onde fica a minha casa. E caras vizinhas.

Morabeza

Às 8h e pouco da manhã já entrava pela janela do meu quarto o barulho da sala de aula. Vesti-me e desci. O portão da entrada, grande, castanho-ferrugem, estava aberto. Ao segundo portão, que estava trancado, veio Alice, coordenadora da escola. Encontrei o sorriso do costume. “Entre, temos todo o gosto. Esta é a sala … Continuar a ler

Areia nos pés

Praia di mar. Prainha.

As caras dos dias a seguir ao primeiro

A vista do restaurante Nova Luar, na Terra Branca. E mais caras da terra.

Cabo Verde inteiro numa carrinha

É domingo. Um dos do meio de Novembro. Sucopira, cidade da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde. Um calor peganhento. E gente, e carros em todos os sentidos, e inversões de sentido de marcha em qualquer lado. “Há semáforos mas estão desligados”, explica o taxista. “Gastavam muita luz. E era preciso fazer muita formação às … Continuar a ler

As caras do primeiro dia.

Da primeira fotografia, tirada da varanda do hotel, aos meninos e meninas que nunca tinham tocado em brancas e achavam que eramos princesas. E tinham a certeza de que eramos estranhas, porque “toda a gente sabe falar crioulo.”

Capítulo 1 ou a eleição da Miss Cabo Verde

É a noite da semana. Talvez seja o evento do mês. Eles vão para vê-las. Elas – as deles – vão para terem a certeza de que eles vão mesmo só para vê-las – às outras, as do desfile – e, vão, claro, para terem inveja. “As mais lindas não vão aparecer. Essas vivem no … Continuar a ler

Ponto zero, ou malas aviadas.

A cidade da Praia é já ali. Vê-se muito bem Cabo Verde do Cristo-Rei. Até acho que Almada é um bocado mulata. Até já. E um miminho. O texto é do Baptista-Bastos, Belarmino.

Preto, porco, gordo e especial.

Ourique, de novo. A vila vive a calma alentejana das seis da tarde de um sábado, que é a calma alentejana de todos os outros dias da semana no Alentejo. . O homem tem na mão um cálice que não condiz com os seus traços e um pedaço de pão com presunto de porco alentejano. … Continuar a ler

A neta do meu avô

Entrei distraída. Não tinha em momento nenhum pensado que ía passar naquele corredor. No corredor que não me passava pela memória há anos, mas que estava muito bem desenhado cá dentro. E foi uma analepse. Estava tudo exactamente no mesmo sítio. Tudo como sempre, menos a minha avó na cozinha, a pedir-me para não andar … Continuar a ler