|| Joana Carvalho Fernandes
arquivos

Archive for

Epílogo, retrato ou os Caboverdianos são portugueses fermentados

É olhá-los de perto e percebe-se o desenho todo. O fio da história cravado neles, inexorável. Os cabo-verdianos são portugueses fermentados. São o molde exacto dos que vieram mais o terem ficado ao sol, à espera que crescesse tudo. Bur’organização e monofuncionalismo São dez da manhã. A única papelaria da Achada de Santo António, na … Continuar a ler

Adeus, professora Joana

Decidi aproveitar o facto de não ir trabalhar para usar chinelos. E foi assim descalça que fui dar a última aula de inglês. – “Joana, os teus pés são brancos!” – “Sim. Eu não sou toda branca?” – “Pois, mas os pés também? É muito estranho…” A minha turma.

Arrumações praticamente implacáveis

No Plateau, downtown da Praia, os passeios das ruas eram percursos sinuosos entre magotes de vendedoras e os seus arraiais, estendidos por onde calhava, e clientes, transeuntes e curiosos. «Um panorama desagradável para a emblemática parte histórica da capital do país», lê-se no Expresso das Ilhas de 19 de Novembro. Havia, pelo chão e pelas … Continuar a ler

As caras da Calheta

Boca Ribeira fica perto da Calheta, no Concelho de S. Miguel. É das zonas mais pobres da ilha de Santiago. Fica a cerca de duas horas da Praia, a caminho do Tarrafal. A aldeia está cercada por montanhas imponentes, recortadas a verde e castanho. As casas são abafadas e cheiram todas a falta de água. … Continuar a ler

O Iace tipo e o tipo do Iace

Valter é iacista. A bem dizer, é um camionista mal amanhado e crioulo. É dono e condutor de um Toyota Hiace, o famoso iáce, onde cabe Cabo Verde inteiro e mais umas tralhas. Tem 25 anos e transpira estilo. O seu carro é verde escuro porque o dono é um sportinguista convicto. No retrovisor tem … Continuar a ler

Grogue

O grogue é uma bebida tradicional de Cabo Verde. É feito por mulheres fortes e por homens a cair de bêbedos: há profissões que descem mais às pernas do que outras. http://www.youtube.com/get_player

Avó Margarida

Tem um desenho fino, frágil. Um corpo franzino e miúdo. Uma tez serena, feliz, imperturbável. Tem os olhos muito pequenos, negros, escondidos nas rugas da cara. Está normalmente sentada: ou numa cadeira de plástico que já foi branca, ou no degrau da porta de sua casa, com as pernas dobradas para um lado, com jeitos … Continuar a ler

Amor velho, como a cidade

Fica a 80$ e a meia hora do centro da Praia, na escala de tempo de um Iace acolhedor, sempre tão cheio que dá gosto. A paisagem foge a uns 80 à hora, aos ziguezagues e solavancos. A estrada rasga montanhas de terra, com um recorte perfeito na linha do horizonte. As colinas estão pontuadas … Continuar a ler