|| Joana Carvalho Fernandes
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O deserto ao fundo da rua

Esta estória, que queria acabar no deserto, começa dentro de um jipe onde está um paquistanês – com as mãos no volante –, uma argentina e um espanhol – com as mãos um no outro –, uma queniana, dois portugueses, um chinês acordado e outro sempre a dormir. O homem com o volante nas mãos … Continuar a ler

A Grande Mesquita

É ténue a linha do desenho que se percebe no horizonte, mas indubitável a força da presença com que se assoma. O branco imenso da sua extensão esbate-se na luz fria e nublada do meio da manhã. [Fotografia inicial: Vítor Martinho] A paz da pintura quebra-se com a proximidade. Como em toda a curva do … Continuar a ler

O Dubai pelas suas caras

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Amor vingado

O Creek Side Park diz-se todo pelo nome. É um parque que se estende ao lado do Creek. É preciso acrescentar que o rio – o Creek – lava o Dubai, aqui e ali, e que, à noite, quando se espreita o lençol da cidade velha, as luzes dão-lhe uns ares da cidade do meu … Continuar a ler

Em casa no mundo

No chão de terra batida, um garoto de ano e meio faz uma birra demorada, numa luta hercúlea por uma girafa insuflável. O pai, figura alta e redonda, a quem a energia foi fugindo com a idade, observa-o, impávido. Ele esperneia, levanta pó e grita. Faizal olha-me e sorri, como quem se desculpa pela barulheira. … Continuar a ler

O Corão no táxi

Fui a última a entrar no táxi. Ia zonza, enjoada. A shisha tinha-me descido às pernas e voltado à cabeça, para a deixar à roda. A flutuar nas ideias tinha ainda o luxo disfarçado de tradição do Madinat Jumeirah, um resort que se vende como o mais fascinante do mundo e, pelos brilhos que vi, … Continuar a ler

"Moralidade, ordem, segurança e respeito ao Islão"

No Dubai, o Mundo está todo dentro dos hotéis, não vale a pena procurar nada à volta. Goze o corpo com o dinheiro, que a cabeça gozará com o Corão, nunca com a Internet. Lista dos temas “bloqueados” – que censurados é capaz de ser forte.

Vestir as calças

O Gold Souk é um dos maiores mercados de ouro a retalho do mundo, e eu cheguei na hora de ponta. Tudo transpira pressa. Passa das sete da tarde e o que era um burburinho deu uma cambalhota e é uma gritaria. O som confirma que é um mercado. Os brilhos confundem a cabeça. O … Continuar a ler

A herança posta ao canto

O Dubai não quis assomar-se aos olhos dos que vêm de fora para se afogarem em luxo para lhes mostrar um pedaço de terra fútil. Agarrou nas velharias – a história e a cultura, coisas decrépitas-decrépitas – e juntou tudo numa aldeia fingida, mas com pessoas reais. A ideia é só dar uma ideia, que … Continuar a ler

Prólogo, Bom dia, Dubai! ou a questão essencial da coisa

Chegou quando isto era tudo só areia. Ajudou a erguer alguns dos edifícios que por todo o lado ofuscam e esmagam: pelo brilho, pelo luxo, e pela grandeza desmedida. Debaixo dos seus pés, uma faixa pedonal de uma ponte sobre o mar, com uma marina entupida de iates, à direita. À sua volta é tudo … Continuar a ler