|| Joana Carvalho Fernandes
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As bengalas de Abril

O domingo de chuva indecisa não começou há muito tempo. É cedo. Muito mais cedo do que isso porque é domingo e porque ora está de chuva, ora está quase a estar de chuva. Não obstante, eles chegam determinados, em filas ininterruptas, fora as intermitências próprias da locomoção naquelas idades. É dia de congresso e … Continuar a ler

Fátima ao colo

O Santuário espera, cheio e transpirado – debaixo do mesmo calor de há 50 anos, quando pela primeira vez ali se esteve em suspenso para falar em coro ao Senhor – pela Santa que apareceu antes da capela que se havia de construir depois e que chega hoje cá acima para soprar as velas com … Continuar a ler

A mulher enorme

Esteve a bater natas para fazer o bolo que há-de ser o nosso lanche e o fim deste texto. Atrasou-se mas chegou, ainda a limpar as mãos molhadas à bata branca. Filomena tem uma figura miúda: é magra e baixa. Tem mãos de avó. E tem as pernas arqueadas: não anda, dança. O rosto é … Continuar a ler

Na barriga do Tejo

Passo de cágado

Cheira a espera. O espaço é cinzento-mármore e tem linhas de inox nos corrimãos das escadas até ao varandim. Antes dos cartazes descolorados, colados nas paredes com fita-cola que já amareleceu, há filas de gente entorpecida, de pé, a sobrar do espaço de espera.Depois das secretárias imponentes há todo um outro mundo. O espaço do … Continuar a ler