|| Joana Carvalho Fernandes
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As letras na sala da Santa

“A lei é sempre escrita pelas maiorias que malfazem”, lê-se na parede suja de uns antigos armazéns à beira-mar da cidade que Dom Vasco da Gama, ali ao fundo, imponente e redondo, guarda do alto. O desenho das letras, a negro, é uniforme e, desconfiar-se-á avante nesta história, “obra de tintas de malandros”. A mulher … Continuar a ler

O poeta mercador

À volta, numa tarde de sábado, era tudo futebol mais barulhos e confusões anexas. Na mão dele, todos os dias, era toda a realidade feita poesia. O homem sem traços tortos de maior, dono de curvas generosas e corriqueiras, é o poeta da região. Verseja a realidade. – “Como eles fintam a bola eu finto … Continuar a ler

A lição

O garoto é baixo demais para a sua idade. Tem caracóis loiros e um casaco de ganga, de mangas arregaçadas, que quase lhe toca nos joelhos. Brinca, sozinho, com uma bola de futebol vazia, perto do antigo chafariz da rua Capitão Leitão, em Almada Velha. “Ó puto, não vens? És o único miúdo aqui em … Continuar a ler