|| Joana Carvalho Fernandes
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Conto de Natal para adultos (ou no escurinho do inverno)

Já passámos por esta amálgama de casas à beira de ruas exíguas, esburacadas, sujas e lamacentas. Já vimos, noutras letras, este novelo clandestino que ganhou forma com o suor que veio depois da vontade de uma vida melhor e que inchou com a droga, o álcool, o desemprego, a criminalidade, as gravidezes de adolescentes, o … Continuar a ler

Rabelados, com a graça de Deus (capítulo III), "Viver para hoje"

A arrumação das casas começa a desafiar o traço da tradição. A contrastar com as tradicionais casas de colmo – baixas, pequenas, escuras e frescas, feitas à mão – erguem-se casas de cimento que os mais novos constroem, vindos de fora da comunidade, com o dinheiro que juntam. É hora de almoço. Cheira-se o lume, … Continuar a ler

Rabelados, com a graça de Deus (capítulo II) "Sem partido, pelo bem"

Nas paredes da sala há pedaços de madeira pendurados com recortes de jornais, fotografias de políticos e várias referências a Amílcar Cabral, símbolo da independência do país. “Gostamos dele porque trouxe liberdade e ajudou o povo”, conta Moisés. “Temo-lo como homem de bem. Ensinou-nos a palavra democracia“. Moisés não tem partido e não vota. “Recebo … Continuar a ler

Rabelados, com a graça de Deus (capítulo I)

“Vamos a todo o lado sem nome. O nosso nome é Rabelados, com a graça de Deus”, começa, num crioulo cerrado, uma figura mulata, baixa e magra, com olhos claros e uma cruz de madeira ao pescoço: “Vamos a todo o lado sem nome”, insiste. “Ou pelo menos íamos. Esta é a história do nosso … Continuar a ler