|| Joana Carvalho Fernandes
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Brasil, Dilma Rousseff, eleições presidenciais, favela do Vidigal, Joana Carvalho Fernandes, José Serra, Lula da Silva, Rio de Janeiro

José António acha que Lula conduziu um Brasil que já estava caminhando

José António Nogueira é português de berço e brasileiro de coração. Está no Brasil desde 1954 e considera que as mudanças dos últimos oito anos não foram obra das mãos de Lula, mas passos de um país que já tinha começado a caminhar.

O português, como lhe chamam os que chegam ao alpendre onde agora está sentado, vive em Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná, junto à fronteira com a Argentina e com o Paraguai. “É uma cidade bonita, com muito movimento, mas também com contrabando e com uma criminalidade mais elevada do que a do Rio de Janeiro”, conta.

Na casa de madeira onde cheira sempre à comida que ele cozinha para vender para fora a quatro reais o prato (1,80 euros) vivem seis pessoas: ele, a mulher, a sogra, o filho, a nora e o neto. Todos dependem do pequeno negócio, que permite à família “viver bem, ter uma vidinha sossegada”, com dois mil reais por mês (915 euros).

Os oito anos do Governo Lula, diz, não vieram mudar muito este cenário. “Comparando com os outros Governos, o de Lula da Silva foi o que mais combateu o tráfico de droga e o contrabando de mercadorias que se fazia a partir do Paraguai. Por isso a cidade já não mexe como mexia”, afirma.

Ainda assim, considera que não se pode dizer que o Brasil tenha melhorado por mérito deste Presidente. “Ele fez um bom Governo. O Brasil desenvolveu muito na agricultura e na agropecuária. Mas é preciso ver que o Lula pegou num país que já estava caminhando”, disse.

José António trabalha 16 horas por dia. Não tem fins-de-semana, feriados nem folgas. Diz-se feliz com a vida que tem, que não é rica mas é boa.

Discorda da política de distribuição de rendimentos do Governo por achar que “não resolve nada e cria um ciclo vicioso”: “Não dê o peixe ao homem, ensine ele a pescar, que ele aprende a se virar”, argumentou.

Para além disso, defendeu, “no Brasil a saúde ainda deixa muito a desejar”. “A minha esposa precisava de um tratamento que custava 25 mil reais (11400 euros) e o Governo não nos ajudou. No entanto, há uns tempos, só para transportarem uma vez o Fernandinho Beira-Mar [um dos maiores traficantes de armas e droga da América Latina, condenado a quase 30 anos de prisão] gastaram 40 mil reais (18 300 euros)”, contou.

Em outubro o português vai votar em José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira, porque “é um homem mais experiente, mais bem preparado e que vai olhar para a saúde dos brasileiros”.

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