|| Joana Carvalho Fernandes
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Bolsa Família, Brasil, Dilma Rousseff, eleições presidenciais, Joana Carvalho Fernandes, José Serra, Lula da Silva, Morumbi, Paraisopolis, São Paulo

Bolsa Família: uma lata de leite foi muitas vezes tudo o que teve para dar aos filhos

Cláudia nasceu na favela de Paraisópolis, em São Paulo, onde ainda vive. Com o apoio que recebe do Governo compra uma lata de leite. Houve alturas em que era tudo o que tinha.

Cláudia tem 23 anos e é mãe de dois filhos. A casa da família é um quarto com um beliche à esquerda, uma televisão atrás da porta e um fogão ao fundo. Fica perto do centro da favela, logo depois de duas estradas de alcatrão, uma de terra batida e outra de cimento. Cada uma mais estreita do que a outra. Depois há um muro tosco e alto, de betão, que afunila e conduz ao portão enferrujado. A porta da casa dá para um pátio cruzado por cordas com roupa estendida e pontuado com brinquedos de criança e o ladrar de um cão.

Enquanto cozinha, o que também faz para viver, Denis explica que não tem emprego certo e que nas alturas em que está desempregado “a família passa aperto”.

Cláudia faz as contas: “Quando estamos os dois a trabalhar é ótimo. Em média, o meu salário e o dele dá 1 200 reais (524 euros). 250 reais (109 euros) vão para o aluguer da casa, 300 (131 euros) são para despesas com água, luz e gás. Só com um ordenado passamos muito aperto”, diz.

Com Lula da Silva na Presidência, garantem, “a vida mudou bastante”. Se Dilma Rousseff, a candidata apoiada pelo atual presidente, subir ao poder, como esperam, “a vida vai continuar a melhorar”.

Cláudia acha que depois de Lula, “até o emprego ficou mais fácil”: “Como recebo Bolsa Família [o programa de distribuição de rendimentos do Governo, que beneficia hoje quase 13 milhões de famílias brasileiras] pude fazer um curso profissional e recebi logo uma proposta de emprego. Por acaso rejeitei-a porque já trabalhava na União de Moradores”, conta.

A família recebe do Governo 20 reais (9 euros) por mês para ajudar nas despesas com alimentação e escola de Caíque, de 4 anos, e Eduarda, de 2. Visto de fora parece pouco. Visto de dentro, já foi o tudo o que Cláudia teve para dar aos filhos.

“Com esse dinheiro você compra uma lata de leite, mas ainda bem que ganhamos alguma coisa. Quando comecei a receber ainda não estava casada. Só tinha os dois filhos, e quando não estava a trabalhar foi um auxílio, tinha alguma coisa para dar às crianças. Para mim está a valer até hoje. E sempre que recebo o dinheiro tento gastá-lo com os meus filhos”, diz.

Aqui em casa vota-se em Dilma Rousseff por “representar continuidade em relação ao trabalho de Lula da Silva”. Cláudia espera que, subindo ao poder, a agora candidata olhe pelo acesso dos brasileiros mais pobres à Educação Superior e à Saúde.

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