|| Joana Carvalho Fernandes
a ler
Agência Lusa, Paris

O Gomes e o Pereira fizeram um “hino” de protesto e querem tocá-lo para Paulo Portas

O movimento "Nantes não desiste" apela a um "boicote a Portugal", em protesto contra o encerramento do vice-consulado português na cidade.

O Gomes e o Pereira, ambos Carlos, integram o movimento “Nantes não desiste”, que contesta o encerramento do vice-consulado na cidade. Dão voz, bandolim e órgão ao “hino” deste protesto e querem tocá-lo para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

[Para a Agência Lusa]

São ambos músicos de coração e das horas vagas, nascidos aqui, filhos de portugueses emigrantes em França. Em meia hora, alinhavaram a banda sonora de protesto contra a decisão de Paulo Portas de encerrar cinco vice-consulados, dois na Alemanha, três em França, em Nantes, Clermont-Ferrand e Lille.

Hoje são cabeças de cartaz da emissão da rádio Alva, no ar aos domingos entre as 10:00 e as 12:00, na frequência da rádio AlterNantes.

Em cima dos acordes de uma guitarra portuguesa que remata o fado que acabou de tocar, o locutor Alberto Carvalho saúda os ouvintes, dá-lhes argumentos para ficarem por ali: “Então, amigos ouvintes, não se esqueçam que hoje é a última edição da rádio Alva em direto e de 2011 e que hoje vamos receber Carlos Gomes e Carlos Pereira, que vão tocar aqui em direto para vós”, diz ao microfone.

No estúdio, os Carlos ensaiam e contam à Lusa a história do primeiro acorde: “Estávamos a falar na Internet, à procura de um protesto original. Vimos que as manifestações não estão a dar resultado. Está difícil fazer ouvir a voz dessa maneira, portanto a ideia da música veio naturalmente. Adaptámos o tema “O beijinho Português”, que é um tema popular, que tem um refrão que fica no ouvido”, diz o Gomes.

“A letra foi escrita pela nossa amiga Cláudia Brito. Penso que a ideia está a ter algum resultado. As pessoas estão a gostar, cantam. A música está a fazer o seu caminho. O tema já corre as manifestações de outras comunidades portuguesas em protesto na Alemanha e em Andorra, por exemplo”, acrescentou o Pereira.

A música foi, em suma, continua Gomes, “uma maneira de encontrar um hino comum a esta causa. Com música é mais fácil passar uma mensagem. Este é um hino do protesto pela Europa”.

Este ano, a tradicional noite de Reis em Nantes vai ser festejada de forma diferente. Carlos Gomes explica que “em vez da noite das janeiras, com cantares de Reis, haverá uma noite especialmente dedicada a esta causa, a que se chamará ‘As Porteiras’”.

“Queremos que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, oiça a música. Queremos tentar que ela faça algum eco nas medidas anunciadas”, concordaram.

Antes de abrir os microfones aos dois artistas, Alberto Carvalho diz à agência Lusa que a Alva “não pode ficar calada em relação ao encerramento do vice-consulado em Nantes”.

“A emissão Alva não está aqui só para empurrar discos. Nós estamos aqui é para pôr em relevo tudo o que se passa com a comunidade. E o que se passa atualmente com o vice-consulado em Nantes é uma injustiça. Uma injustiça”, acrescentou.

O protesto segue em segundos, do estúdio para Nantes: “Ai fecha um, fecha dois e fecha três, o consulado nos querem tirar de vez. Ai fecha quatro, fecha cinco e fecha seis, como é triste a condição do português!”.

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