|| Joana Carvalho Fernandes
a ler
Comunidade portuguesa em França, Contestação, Emigração, Emigrantes, França, Joana Carvalho Fernandes, Protestos

No restaurante Lusitano recolhem-se assinaturas contra o fecho do vice-consulado de Nantes

No Lusitano recolhem-se assinaturas de protesto contra o encerramento do vice-consulado em Nantes.

No Lusitano, o único restaurante português em Nantes, recolhem-se assinaturas para ver discutido no parlamento, em Lisboa, o encerramento do vice-consulado de Portugal na cidade, anunciado a 16 de novembro pelo Governo.

[Para a Agência Lusa]

No início da rua Camille Desmoulins, há Portugal escrito por todo o lado: do reclamo luminoso do restaurante à marca da cerveja, da marca dos gelados à ementa. Aníbal de Almeida Gonçalves é emigrante em França há 35 anos, 33 dos quais em Nantes. Abriu “O Lusitano” há dois.

Como discorda da decisão do Governo português de encerrar o vice-consulado em Nantes, juntou-se ao protesto do movimento “Nantes não desiste”, que quer ver a questão discutida na Assembleia da República. Aqui, cada português que entra é convidado a apoiar a causa.

Aníbal Gonçalves conta à Lusa que não se governa com a clientela portuguesa, “são talvez 30 por cento dos clientes”, mas “quem vem é informado do problema e do protesto e chamado a assinar”.

“Faço o que posso, mas acho também que os portugueses estão pouco motivados, pouco mobilizados para esta causa. Recolhi entre 60 e 70 assinaturas. Não é muito. Não percebo porquê. O consulado faz falta, as pessoas vão ter que passar a ir até Paris para tratar de uma coisa de que agora tratamos aqui ao pé da porta”, afirmou.

O empresário é pai de seis filhos, cinco deles nascidos em França: “É no consulado que tratamos dos documentos. Eu casei aqui e registei os meus filhos todos aqui. Seria muito caro e muito trabalhoso ter que resolver tudo isso a 400 quilómetros de Nantes”, acrescentou, fazendo contas a um mínimo de 150 euros para uma viagem até Paris.

Até agora, pela contas do porta-voz do movimento “Nantes não desiste”, Manuel Ferreira, o abaixo-assinado recolheu mais de 2 mil assinaturas, metade das 4 mil necessárias para levar a questão para a agenda do Parlamento.

“Recolhemos 2015 assinaturas e vamos continuar a recolha até ao dia de encerramento do consulado, a 13 de janeiro”, afirmou.

Teresa Gomes Ribeiro, 34 anos, operária fabril, é cliente de ”O Lusitano”. Vive a 60 quilómetros de Nantes. À agência Lusa diz sentir que a decisão do Governo de encerrar o vice-consulado é “sinal de abandono”.

“Sinto que o Governo não se importa com os portugueses que existem pelo mundo. No dia-a-dia da nossa vida esta proximidade é muito importante”, argumenta. Por exemplo, acrescenta, casou-se este ano e foi mãe. Todos os documentos que estes dois acontecimentos exigem teriam implicado “muito mais tempo e muito mais dinheiro” sem o vice-consulado em Nantes: “Só quem não pensar sobre isso é que não percebe”, rematou.

Anúncios

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: