|| Joana Carvalho Fernandes
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Emigração, Emigrantes, França, Joana Carvalho Fernandes, Paris

8 mil quilómetros de Portugal em fotografias

A exposição abre portas na sexta-feira, no Consulado-geral de Portugal em Paris

Mário Cantarinha começou a gostar de fotografia “mesmo antes de saber o que isso era”. E vai contar toda a história que se segue com pressa, com os  olhos e as mãos a fugirem-lhe desta conversa para as molduras onde arrumou 8 mil quilómetros de Portugal, de Norte a Sul.

“Sou de Folgosinho, junto à Serra da Estrela. Quando os meus vieram para França, tinha eu oito, dez anos, andava quilómetros e quilómetros a pé com a minha avó materna para podermos ir à cidade fazer um retrato, que íamos buscar oito dias depois e enviávamos para cá. No caminho, a atravessar a Serra, eu pensava que seria lindíssimo se pudesse ficar com aquela imagem, levar aquela imagem”.

Vai ali e já vem. Regressa. “O que me deu muito trabalho desta vez foi esta parte de trás da fotografia, que tem colada uma bandeira de Portugal feita por mim”, vezes mais de 40 fotografias.

Fala depressa, o dizer encaixado num sotaque beirão. “Fiquei sempre maravilhado com o flash. Como é que daquela luz sai uma fotografia? A fotografia ficou-me sempre na cabeça. Dizia sempre para mim que quando tivesse possibilidades havia de fazer fotografia”. É amante, amador, não vive disto.

Volta à exposição, que se arruma. Está com um olho aqui o outro lá, a decidir a ordem e a altura a que ficam as janelas abertas para Portugal, pelas paredes do Consulado-geral de Portugal em Paris.

“Quando vim ter com os meus pais a França, tinha eu 12 anos, o meu pai conseguiu ganhar uma máquina fotográfica numa daquelas barracas de feira, num jogo de tiro ao alvo. Ainda tenho guardada a primeira fotografia que tirei, que eu sou uma pessoa que tem muito o hábito de guardar as coisas”. Fotografou os tios, crê. “Já morreram”.

O cônsul-geral pediu-lhe uma exposição sobre Portugal. Ele “não podia dizer que não”. Fez, nos últimos dois anos, “mais de 8 mil quilómetros por Portugal, de Norte a Sul”. Suou. Vila Nova de Cerveira, Viana do Castelo, Braga, Guimarães, Bragança, Murça, Lamego, Porto, Espinho, Trancoso, Guarda, Folgosinho, Manteigas, Torre Serra da Estrela, Coimbra, Nazaré, Batalha, Fátima, Castelo Branco, Santarém, Peniche, Óbidos, Lisboa, Sintra, Portalegre, Montemor-o-Novo, Évora, Santa Susana, Sines, Beja, Mértola, Castro Marim, Faro, Albufeira e Sagres. “Houve sítios aonde tive que ir três vezes. Não havia maneira de o céu ficar azul, apanhei mau tempo”.

Mas a satisfação sente-se nos gestos todos, no nervoso miudinho com que arruma as molduras. E explica-se com facilidade: “Queria mostrar o nosso Portugal. Às vezes vamos tão longe para ver coisas bonitas e esquecemo-nos de que temos coisas maravilhosas no nosso país. Por exemplo, há pessoas a ir ao Egito para ver o Faraó. E sem necessidade nenhuma. Se calhar a menina não sabe, mas em Folgosinho também temos a cabeça de um Faraó!”.

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