|| Joana Carvalho Fernandes
a ler
Consulado-geral de Portugal em Pairs, Emigração, Fotografia, França, Joana Carvalho Fernandes, Paris, Stanislas Kalimerov

Stanislas Kalimerov fez uma viagem pela memória da alma portuguesa

Stanislas Kalimerov tem avós russos, pais franceses e coração português: durante três anos fotografou “a alma portuguesa” e fez desses retratos uma viagem pela memória de um povo, que mostra até 07 de março, em Paris.

[Para a Agência Lusa]

A história destas histórias é uma história de amor. Stanislas Kalimerov conta-a num português “aprendido nas ruas”, a sorrir, e arrepiado, como fica “sempre que fala em Portugal e dos portugueses”. Os retratos que nasceram daqui estão expostos no consulado-geral de Portugal em Paris, de segunda a sexta-feira.

“Fui a Portugal por acaso mas assim que cheguei apaixonei-me. Fiquei mais um dia, depois mais uma semana, depois dez anos”, contou à Lusa. O fotógrafo conhece 53 países e já mudou 28 vezes de casa. Diz que nunca viu um olhar como o português. “Olham as pessoas nos olhos, transmitem-me uma surpresa permanente, um espírito de descoberta, falam com o coração, dizem poesia nas coisas mais corriqueiras. Descobriram meio mundo e fizeram uma revolução com cravos, onde é que se encontram pessoas assim?”, pergunta.

Durante três anos, e depois de “suar muito” para obter os apoios que viabilizaram o seu projeto, Stanislas fez 30 retratos de jovens portugueses, todos ao primeiro disparo, todos no Bairro Alto, em Lisboa, todos a preto e branco, porque “a alma não tem cor”, todos com uma câmara analógica.

Evoca o escritor Luís Vaz de Camões para explicar o que sentiu naqueles olhares: “Se mais mundo houvera, lá chegara”, disse, lembrando “a história e a alma desse povo que está por todo o mundo”. A nenhum dos modelos disse para que serviria o seu rosto. A todos pediu que vestissem de branco ou de negro. Todos, diz, se emocionaram com o resultado.

“A intensidade e a afetividade do olhar português, e esta paixão, claro, fazem com que eu consiga distinguir um português onde quer que seja, onde quer que o encontre, fazem com que eu consiga encontrar raízes portuguesas nos africanos, nos indianos, nos sul-americanos”, contou.

Por isso, Stanislav Kalimerov quer estender este projeto, quer fotografar o “olhar português” em todos os países da lusofonia. É um projeto a prazo, sem prazo, “à espera de financiamentos para poder acontecer”. À espera que passe a crise. A mesma crise que, considera, os portugueses vão fintar melhor do que os franceses: “Continuará a fazer sol todos os dias, continuará a cantar-se fado!”, acrescentou.

A exposição “Um olhar português” reúne 19 das 30 fotografias do projeto inicial, exposto em 1995, no Convento dos Inglesinhos, em Lisboa, foi inaugurada na sexta-feira em Paris e tem entrada livre.

Anúncios

Discussão

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: